quinta-feira, 30 de julho de 2009

poesia é rito


Auto-mar


A minha navegação

não é de água salgada, não.

É de água da cor de barro,

de lembranças a boiar.


Coisa de memória feita

(rio a correr noutro rio),

nele se perde a rasura

mesmo no palmo a nadar.


Para saber dessas águas,

é preciso olhar as margens

e o que nelas mais não há:

bichos, casa de menino,

qualquer coisa do lugar.


O navegar principia

nas ausências do lembrar.

Nessas memórias desfeitas

que começo a rascunhar.


De navio não preciso

(seria tolo pensar).

O navegar aqui é rito:

navegação de auto-mar.

3 comentários:

San disse...

Bem-vindo poeta, a sua navegação é pura emoção!
bjos.
P.S.A foto tb tá linda!

alm disse...

Animando as distrações com uma grande aquisição.Blz!

Liiz disse...

Vou dizer mais uma vez o quanto adoro esse poema.
Admiro como você se posiciona diante das palavras.
beeijos xx*